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sábado, 26 de janeiro de 2013

"Risotto alla Milanesa" e "Crevettes Provençale"

Um prato misturando Itália e França em duas famosas especialidades de suas cozinhas e que são muito apreciadas por nós brasileiros: risoto e camarão, ficam ótimos juntos!

Antes de falar do risoto vamos saber do arroz (riso). O arroz veio do Oriente, mas pouca gente sabe que quando chegou na Itália na metade do século XIV, trazido pelos mercadores venezianos, era preparado como doce. Após a Peste Negra (1348 - 1352) foi experimentado salgado, usado como remédio.Vem portanto dessa época as primeiras receitas de risoto, que nada mais é que misturar alguma especiaria, vegetais ou carnes ao arroz. Para saber um pouco de como arroz chegou até nós, veja Origine dal Riso a Risotto.

Aprendi a preparar o Risotto alla Milanese com minha amiga Zezé (já falei dela aqui no blog, brasileira casada com italiano há muitos anos morando na Itália), observando e ajudando nos almoços de fim de semana na sua casa quando moraram no Brasil.
Na preparação do risoto à milanesa, ou seja, à moda de Milão (Milano, cidade italiana), o ingrediente importante, sem ele não pode fazer a receita, é o zafferano, o açafrão. Não é o açafrão brasileiro, é aquele que uns poucos pistilos custam como uma jóia, é a especiaria mais cara que existe, só que a gente precisa de muito pouquinho para um sabor incrível e uma cor maravilhosa.
A palavra zafferano deriva do latim safranum, que por sua vez deriva do árabe za'farãn que significa "amarelo". Planta originária do Oriente Médio e India, usada como cosmético e remédio, foi parar na cozinha. É caro porque é raro, encontrado no comércio em pistilos ou em pó, veja em Lo zafferano - Origini.

Sobre o Crevettes Provençale, ou Camarões à Provençal, o nome já nos diz que vem do sul da França e que dois ingredientes são básicos: azeite e alho, muito alho.

Muito blá blá blá para dar a receita?
Eu acho que para apreciarmos um prato é gostoso também saber de onde ele veio, qual sua história, como foi que chegou até a nossa mesa.

o risoto à milanesa de sabor suave e macio combina com os camarões de sabor forte e crocante

Para o risoto vai precisar de arroz próprio para a preparação desse prato se quiser mais próximo do original, tem várias marcas nos supermercados, mas dá para fazer com o nosso arroz agulhinha também, só não vai ficar tão cremoso. Além do arroz italiano vai usar também o açafrão italiano ou espanhol, fácil de encontrar em bons supermercados, o preço é salgado, mas o sabor vale a pena!
Para começar é preciso ter um brodo pronto, ou seja, um caldo de legumes ou carnes, ou usar os tabletinhos para caldos. Derreta numa panela grande um pouco de manteiga com um pouquinho de azeite, refogue bastante cebola bem picadinha ou ralada, junte o arroz, vá mexendo para fritar um pouco (adicione sal se o caldo não for salgado, senão esqueça o sal) e adicione vinho branco seco, deixe evaporar, aí aos poucos, com uma concha, vá adicionando o caldo e mexendo sempre, não pode descuidar do risoto, tem que ficar na frente da panela. Quando o arroz estiver cozido, mas al dente, junte a jóia, o perfumado açafrão, que vai espalhar um cheiro incrível pela cozinha e vai fazer uma mágica deixando o arroz amarelinho. Por último junte um pouco de manteiga e mexa vigorosamente para incorporá-la e o arroz ficar cremoso, o ponto é quando o risoto balança na panela quando a gente movimenta, não pode ser seco nem muito molhado. Aí está todo o segredo de um bom risoto, que se consegue com a prática.  Risoto é um prato que não pode esperar, é fazer e servir imediatamente. No prato cada um coloca um pouco de queijo parmesão ralado, de preferência ralado na hora, pode colocar na mesa um pedaço do queijo e um pequeno ralador para as pessoas servirem a quantidade desejada no seu prato.

O camarão à provençal não é fácil, é facílimo!
Vai precisar de azeite, alho bem picadinho, um pouco de vinho branco seco e muita salsinha picada. Numa grande frigideira leve o camarão com o azeite, vire de um lado e de outro para ele pegar sua cor característica, junte o alho, bastante alho e mexa enquanto o alho doura e solta aquele perfume magnífico que atiça nosso paladar, despeje um pouco de vinho branco seco e deixe evaporar. Por último vai a salsinha e... voilà!

depois de um almocinho assim, uma rede vai bem...
não é na Toscana nem na Provença..
é na Bahia, meu bem!

Juju
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Moqueca de Peixe e Camarão

A - “Muqueca” ou “moqueca” vem do idioma Quimbundo MU′KEKA, “caldeirada feita com peixe” daqui 

B - "...quando os africanos chegaram com as suas poquecas eles (os indios do interior paulista) já faziam moquecas há muito, muito tempo. E na confusão de poqueca com moqueca, venceu a indígena moqueca, que na linguagem autóctone designa um cozinhado envolto em folha. Moquear: envolver a caça ou o guerreiro vencido em folha e cozinhar no moquém, uma grelha de varas sobre o fogo. E tudo virou moqueca." daqui

C - "Moquém era simplesmente o assado envolto em folha e feito sobre a brasa; daí vem moqueca" Moquém em língua tupi significa algo como "secador" para tostar a carne." daqui

D - "A típica moqueca tem que ser obrigatoriamente feita em um moquem, nome indígena de uma grelha feita de varas sobre uma fogueira suspendendo uma panela de barro. Enquanto a fogueira não estiver criando labaredas, você pode começar a preparar o alimento." daqui

Enfim, apesar da discussão se a verdadeira moqueca ou muqueca (pode escrever das duas maneiras) é baiana, capixaba ou paulista, o certo é que é um prato de cozido, que pode ser de qualquer tipo de carne, mas o mais comum é feito de peixes e frutos do mar.

A minha preferida é a moqueca baiana, foi a que nos saboreamos ontem no jantar, preparada pelo Tunico.

a moqueca é baiana, 
mas feita na panela capixaba que trouxemos do Espirito Santo

Como todo prato simples não tem segredo, a não ser usar bons ingredientes e usar bom senso para equilibrar os temperos.
A moqueca de ontem era de peixe e camarão. Numa panela, refogar no azeite doce, a cebola, alho e tomates, acrescente água e tempere com sal, pimenta e ervas, vale as que gostar, mas o coentro é o gostinho da comida baiana, como tem quem não goste, pode dispensar. Se gostar pode usar pimentão também, verde, vermelho, amarelo.
Nesse caldo fervente, despeje as postas de peixe, os camarões e em seguida adicione o leite de côco. Por último, um fiozinho de azeite de dendê. Esses dois últimos ingredientes que dão o sabor baiano ao prato.
Lembre-se que peixe e camarão cozinham rapidamente, não deixe muito tempo no fogo a moqueca.
Para servir acompanhando, arroz branco e farinha de mandioca bem fininha, passada no azeite de dedê, que dá uma cor linda e um sabor especial à farofa.



Deu água na boca, né?
Bem simples de fazer, experimente!

Juju
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Bacalhau com Camarões à moda do Tunico

Bacalhau tem cara de festa, mesmo quando a gente come toda semana, como é o caso daqui de casa, somos fãs do gadus morhua preparado de várias maneiras, e tem milhares de modos, cada bom cozinheiro tem sua receita especial.
Os portugueses costumam dizer que existe uma receita de bacalhau para cada dia do ano, mas deve ter muito mais! Os noruegueses descobriram a técnica do salgamento do peixe para conservação e dessa maneira se espalhou mundo afora.
Em muitos lugares a bacalhoada virou tradição nas festas de fim de ano, seja na ceia ou no almoço natalinos, seja na noite de reveillon ou no dia de ano novo, vindo das águas geladas no Mar do Norte, o bacalhau é rei.
Nessa preparação o Tunico criou uma delícia cremosa. Como sempre, bacalhau não tem erro se for de boa qualidade, norueguês, dessalgado no ponto, melhor ainda se vier com o acompanhamento clássico da batata, par perfeito! Nesse caso é acompanhado também da nobreza dos camarões.


Nada complicado para fazer, é muito simples e o sabor já podem imaginar...
Para começar tem que deixar o bacalhau dessalgando em água, na geladeira de um dia para o outro (melhor se forem 2 dias) e trocando sempre a água. Se preferir, pode dar uma aferventada para retirar todo o sal, mas lembre-se que com bacalhau não pode ter pressa, é preciso paciência porque corre o risco de estragar o prato se não for eliminado o sal extra direitinho.
Depois de dessalgado, desfie em lascas, e vamos ao preparo do prato, vai precisar de:

batatas
camarão fresco
molho branco*
cebola
alho
pimenta do reino
queijo parmesão ralado
pão torrado ralado ou moído**
azeite

*molho branco: numa panela refogue cebola picadinha no azeite, junte leite e manteiga, separado misture amido de milho ou farinha de trigo a um pouco de leite e dissolva bem, junte à panela, deixe ferver até adquirir consistência. Tempere com sal, noz moscada e pimenta.

Na continuação, descasque e corte as batatas em lâminas bem fininhas. Refogue o bacalhau no azeite com cebola e alho. Passe rapidamente os camarões numa frigideira com um pouco de azeite.
Feito isso, escolha uma vasilha que possa ir ao forno, forre o fundo dela com o molho branco, faça uma camada de batatas e uma de bacalhau e camarões, repita as camadas. A última camada deve ser de batata coberta de molho branco, espalhe por cima o queijo ralado e a farinha de rosca*.

**farinha de rosca feita em casa é muito mais gostosa, vá juntando sobras de pão, guarde na geladeira, quando quiser preparar a farinha, corte o pão e leve ao forno com um fio de azeite até dourar, depois é só moer no processador ou no liquidificador.

Leve ao forno a vasilha de bacalhau até gratinar, ou seja, ficar douradinho e a cobertura crocante.


É um prato quase completo, proteína e carboidrato, para acompanhar vai bem uma salada fresca.


Para a salada vale a criatividade e a preferência de cada um, essa ficou crocante com alface americana, pepino japonês e tomatinhos cereja, no tempero vai um pouco de orégano com o azeite.

Garantido que esse bacalhau vai se fazer notar na sua mesa de festa e lembrado para sempre!

Juju
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